A seleção argentina inicia uma nova era no futebol mundial. O anúncio da aposentadoria de Lionel Messi da Albiceleste encerrou uma trajetória de mais de duas décadas marcada por títulos, recordes e uma relação que passou da desconfiança à idolatria. Agora, o país volta a enfrentar uma sensação conhecida: como seguir em frente depois da despedida de um jogador que se tornou símbolo nacional?

A situação inevitavelmente remete ao período posterior à aposentadoria de Diego Maradona. Assim como aconteceu com o antigo camisa 10, a Argentina terá de lidar não apenas com a ausência de um craque dentro de campo, mas também com o peso simbólico deixado por uma das maiores figuras da história do futebol. Messi encerra sua passagem pela seleção como maior artilheiro da história da equipe, com 125 gols, além de quatro grandes títulos: a Copa do Mundo de 2022, duas Copas Américas e a Finalíssima.
Um vazio difícil de preencher
A saída de Messi acontece após uma era extremamente vitoriosa. O atacante foi peça central na reconstrução da seleção comandada por Lionel Scaloni e ajudou a Argentina a conquistar títulos que encerraram um longo período de frustrações. A Copa América de 2021, a Finalíssima de 2022, o Mundial do Catar e a Copa América de 2024 transformaram definitivamente a relação do craque com os torcedores argentinos.
Agora, nomes como Julián Álvarez, Lautaro Martínez, Cristian Romero e Emiliano Martínez aparecem entre os jogadores que poderão assumir maior protagonismo. A grande questão, porém, é se algum deles será capaz de ocupar o espaço esportivo e simbólico deixado pelo camisa 10. A Argentina também terá de administrar as dúvidas envolvendo a continuidade de Scaloni no comando da equipe.
De criticado a ídolo nacional
A história de Messi com a seleção argentina também foi marcada por momentos difíceis. Antes de conquistar os principais títulos, o atacante conviveu durante anos com comparações constantes com Maradona e críticas por não conseguir repetir pela seleção o mesmo sucesso que alcançava no Barcelona.
Em 2016, após mais uma derrota em uma final, Messi chegou a anunciar sua aposentadoria da Argentina. O retorno, entretanto, mudou completamente o rumo da história. A conquista da Copa América em 2021 e, principalmente, o título mundial em 2022 fizeram com que o jogador passasse a ocupar definitivamente um lugar entre os maiores ídolos da história do futebol argentino.
A despedida definitiva acontece aos 39 anos, depois de uma carreira internacional de 207 partidas e 125 gols. Messi também disputou seis Copas do Mundo e terminou sua trajetória pela Argentina após a derrota para a Espanha na final do Mundial de 2026.
O próximo capítulo
A Argentina agora terá de construir uma seleção sem o jogador que durante anos foi a principal referência técnica, emocional e tática da equipe. A missão será encontrar novos líderes sem tentar simplesmente reproduzir o futebol de Messi.
A despedida já mobiliza o país. A Associação de Futebol da Argentina determinou que as partidas realizadas no território nacional tenham um minuto de aplausos no 10º minuto, em homenagem ao histórico número utilizado pelo craque.
Assim como aconteceu após a era Maradona, a Argentina precisará descobrir como transformar a ausência de seu maior ídolo em combustível para um novo ciclo. A diferença é que, desta vez, Messi deixa o palco com a missão que durante anos pareceu impossível: recolocar a seleção no topo do futebol mundial.